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| Paixão da Phaté /Zecca/Nonguet, 1902 |
Ao prepararmos essa coletânea de artigos a intenção foi, sobretudo, permitir ao leitor um primeiro contato com um campo bastante rico e promissor do universo acadêmico, também pensamos que o conteúdo aqui reunido pode ser útil para os jovens pesquisadores, inspirando-os em suas buscas, apontando territórios pouco desbravados. Tendo essas pretensões em vista, o primeiro artigo, até então inédito, Jesus Film – Uma breve introdução ao estudo dos Filmes de Cristo é um texto despretensioso que visa dar primeiras noções sobre o objeto Filmes de Cristo. Ora, o que são Filmes de Cristo? Filmes que contenham a estória de Jesus Cristo, total ou parcialmente. Estes filmes podem ser categorizados como estando no âmbito do gênero religioso, ou, Filmes Épicos Bíblicos. No capítulo são levantadas algumas questões que são típicas destas produções, poucas discussões teóricas, pois é acima de tudo um texto informativo.
As questões teóricas, propriamente ditas, são um fenômeno novo no que diz respeito aos produtos audiovisuais de assunto religioso, uma bibliografia razoável publicada no exterior, mas cujos autores possuem freqüentemente a intenção de informar detalhes curiosos da produção e da recepção da sociedade. Há muito pouca produção acadêmica que se dispõe a discutir as relações estéticas, narrativas, e até mesmo teológicas dessas obras. Isto é um dado perturbador, pois a produção de assuntos religiosos acompanha o Cinema – e o audiovisual – desde o início da sua história.
Neste espaço pouco ocupado, insere-se o segundo capítulo Cristologia Fílmica onde avançamos sugerindo uma metodologia de pesquisa e análise, coisa inexistente mesmo fora do Brasil. Representar a figura de Jesus Cristo no Cinema, necessariamente, leva ao terreno da Cristologia, área da Teologia que estuda os títulos – ou imagens – de Jesus, por essa razão, este texto pode vir a auxiliar o desenvolvimento de uma teologia sistemática destes novos Evangelhos realizados através da imagem em movimento.
O Corpo de Cristo no Cinema surge aqui como um exemplo das muitas formas possíveis de se abordar este objeto. O corpo de Jesus Cristo ocupa um lugar central na história de nossa civilização, razão pela qual ele é escolhido como tema, também é assunto corriqueiro no âmbito da Teologia, isso sem falar na longa tradição da cultura popular, que possui sua própria “fala” sobre este corpo de Deus feito carne. Buscando um distanciamento relativo da teologia, metodologicamente, escolhemos ficar, neste caso, na comparação descritiva, observando os corpos que eram possíveis de serem assumidos por Jesus no Cinema, e que significados histórico-culturais eles guardavam em si.
Um Repertório de Imagens para os Primeiros Filmes de Cristo é um primeiro esforço teórico de estabelecer a origem e formação da narrativa da vida de Cristo no Cinema. Quais eram os fatos da vida de Jesus que eram escolhidos? Por que estes? Qual a ordem dos acontecimentos? E que sentido isto tem para aqueles que produziram e receberam essas imagens. Ainda hoje, buscamos avançar estas questões com novas pesquisas. Esta questão é bastante rica, pois os Filmes de Cristo estão entre as primeiras formas narrativas elaboradas pelo novo meio inventado em fins do século XIX.
Os Filmes de Cristo no Brasil nasceu da necessidade de responder à pergunta mais insistente que nos faziam: existe algum filme brasileiro? A resposta, um quase sonoro não, com exceção de dois filmes, fez com que buscássemos compreender o porquê desta inexistência de produção em um país marcadamente cristão. Não tivemos a pretensão de encontrar a totalidade das respostas, mas algumas podem apontar caminhos para futuros pesquisadores.
Em O que diz a Voz de Deus? novamente surge o desejo de tentar elaborar uma primeira aproximação teórica, desta vez através do formato documentário. Buscamos pensar sobre o que era próprio apenas deste tipo de produção, o que as produtoras que tratam de assuntos religiosos poderiam ter elaborado como algo novo no campo do documentário.
Um Filme ou Dois? se trata de um ensaio de investigação histórica, cuja principal contribuição é estabelecer a existência de dois filmes onde até então os pesquisadores da área pensavam se tratar de apenas um. É um outro exemplo de como abordar o tema da vida de Jesus pode ser profícuo para o estabelecimento de novas descobertas, pois foi através da comparação entre as diversas narrativas e alguns dados investigativos que conseguimos fazer a distinção.
O último capítulo avança numa direção de análise que pode vir a ser preenchida por futuros pesquisadores e até mesmo teólogos, pois resolvemos verificar o tipo de teologia proposta ao longo do filme The King of Kings de Cecil B. DeMille, um dos grande influenciadores do formato. Conseguimos estabelecer que ali era produzida teologia, e mais, que era uma teologia diversa daquela das instituições e que o produtor a expressava conforme os recursos do novo meio.
Ficamos felizes em poder dizer que cada um dos capítulos significa uma contribuição para a pesquisa. E como dissemos anteriormente, talvez não tenhamos respondido a todas as perguntas, mas a intenção sempre foi buscar construir conhecimento sobre este objeto, e este conhecimento assim construído pode suscitar novas questões, novas pesquisas e possibilitar o surgimento de novas respostas.
Veja também a resenha do livro publicada pela Revista Horizonte, feita por Joelma aparecida dos Santos Xavier.

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